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Sítio Flor das Águas: um lugar onde o tempo desacelera a Terra

  • Foto do escritor: Ritual Vibe Rio
    Ritual Vibe Rio
  • 16 de jul.
  • 4 min de leitura

No último sábado, peguei a estrada rumo a Lumiar, distrito de Nova Friburgo, para passar o fim de semana com amigos. O motivo da viagem era um evento que aconteceria no sábado à tarde, mas, sem saber, o ponto alto da viagem seria justamente aquilo que não estava no roteiro.


Fomos em carros separados e transformamos o caminho em parte da diversão. Entre brincadeiras, ultrapassagens e risadas, a estrada foi passando quase sem que percebêssemos. Quando chegamos próximo à entrada de Sana, a paisagem começou a mudar. Os vales se abriram, as montanhas ganharam proporções impressionantes e a Mata Atlântica tomou conta de tudo. É daqueles lugares em que você naturalmente diminui a velocidade, não porque precisa, mas porque quer observar.


Sítio flor das águas - Lumiar

Nossa hospedagem foi o Sítio Flor das Águas.


Logo na chegada, já deu para entender a proposta do lugar. Um portão automático se abre para uma ponte de madeira, única entrada e saída da propriedade, cercada por mata preservada e pelo som constante da água correndo. A sensação é de entrar em um espaço protegido, onde a natureza continua sendo a protagonista.


Além da hospedagem, o sítio também recebe visitantes para day use e abriga um restaurante com vista para o rio, integrando tudo de forma muito respeitosa com o ambiente.


Fiquei hospedada em uma das suítes, enquanto meus amigos escolheram um chalé. A janela do meu quarto ficava exatamente de frente para a deles, então bastava abrir a janela para começarmos uma conversa de um lado para o outro. Rimos bastante com isso, até percebermos que o silêncio daquele lugar merecia ser preservado. Depois de alguns minutos de diversão, deixamos que apenas o som da natureza ocupasse o espaço.


Naquela tarde seguimos para o evento que havia motivado a viagem. A festa aconteceu em uma casa cercada por montanhas, com um vale verde abraçando todo o terreno. Conhecemos pessoas extremamente receptivas e passamos horas entre conversas, música e boas companhias.


Voltamos para o sítio já à noite, comentando sobre tudo o que tínhamos vivido durante o dia. Antes de dormir, lembrei do que a proprietária havia nos contado durante o check-in: a propriedade escondia trilhas, rios e cachoeiras acessíveis apenas caminhando mata adentro.


Naquele momento decidi que acordaria cedo.


E foi justamente ali que minha viagem realmente começou.


No domingo, antes mesmo de o restante da hospedagem despertar, coloquei uma roupa confortável, um tênis, peguei uma manta, meu kit e segui em direção à trilha.


Foram cerca de quinze minutos caminhando por um caminho aberto entre a mata. O barulho da água aumentava a cada passo, misturado ao canto constante dos pássaros e ao cheiro úmido da floresta. Antes de sair, a proprietária havia me aconselhado a levar um bambu como apoio, não apenas pelo terreno, mas porque a fauna da região é muito presente. Micos, inúmeras aves e até onças-pardas fazem parte daquele ecossistema, lembrando que somos apenas visitantes.


O destino era as Quedas de Tarumim.



Quando cheguei, tive a impressão de encontrar um lugar que permanecia praticamente intocado. Não havia lixo, construções, grades ou qualquer sinal de intervenção humana. Apenas pedras cobertas por musgo, água cristalina deslizando entre elas e uma vegetação que parecia existir ali exatamente da mesma forma havia décadas.


Fiquei alguns minutos apenas respirando.

Há lugares que impressionam pela grandiosidade. Outros, pelo silêncio.


Ali, os dois aconteciam ao mesmo tempo.

Estendi minha manta sobre uma pedra coberta por um musgo espesso, de frente para o curso da água. Organizei meu kit ao lado, deixando tudo ao alcance das mãos, enquanto observava o rio seguir seu caminho sem qualquer pressa.


Naquele instante, percebi que a melhor parte da viagem nunca havia sido o evento.


Era estar ali. Sozinha. Cercada apenas pela floresta, pela água corrente e pela rara sensação de que, por algumas horas, o mundo inteiro havia diminuído o ritmo. É exatamente esse tipo de lugar que gosto de compartilhar por aqui: destinos que não impressionam apenas pelas fotos, mas pela forma como fazem você se sentir quando finalmente chega até eles.




Minha Curadoria

📍 Destino



Lumiar – Nova Friburgo (RJ)

💰 Quanto custou

  • R$ 950,00 pela hospedagem (julho/2026).

  • Reserva para duas acomodações (uma suíte e um chalé).

  • Café da manhã incluso.

Os valores podem variar conforme a temporada e a disponibilidade.


Para quem eu recomendo

  • Casais que procuram um refúgio em meio à natureza.

  • Grupos de amigos que valorizam tranquilidade.

  • Quem gosta de trilhas, rios e cachoeiras.

  • Fotógrafos e criadores de conteúdo.

  • Pessoas que desejam desacelerar por alguns dias.


Não recomendaria para

  • Quem procura vida noturna.

  • Quem prefere hotéis com estrutura de resort.

  • Pessoas com dificuldade de locomoção, já que parte da experiência envolve trilhas e terreno irregular.

  • Quem não gosta de contato com a natureza e seus moradores (insetos, fauna silvestre, sons da mata e umidade).


O que mais me marcou

  • As Quedas de Tarumim.

  • O silêncio da mata pela manhã.

  • A sensação de estar em uma propriedade realmente preservada.

  • O cuidado dos proprietários com a natureza.

  • O restaurante integrado à paisagem.


O que levar

  • Tênis confortável.

  • Repelente.

  • Protetor solar.

  • Roupa de banho.

  • Toalha para cachoeira.

  • Uma manta para sentar nas pedras.

  • Garrafa de água.

  • Câmera ou celular com bastante espaço para fotos.


Vale saber antes de ir

  • A propriedade oferece hospedagem e day use.

  • Há restaurante dentro do sítio.

  • Existem trilhas e cachoeiras particulares na propriedade.

  • O sinal de celular pode oscilar em alguns pontos, o que acaba fazendo parte da experiência.

  • Respeite a natureza e mantenha o local exatamente como encontrou.


Meu momento favorito

Chegar cedo às Quedas de Tarumim e encontrar apenas o som da água correndo, dos pássaros e da floresta. Foi um daqueles lugares que não pedem nenhuma atividade específica. Apenas presença.


Minha avaliação

Natureza: ★★★★★ (5/5)


Hospedagem: ★★★★★ (5/5)


Tranquilidade: ★★★★★ (5/5)


Custo-benefício: ★★★★☆ (4,5/5)


Experiência geral: ★★★★★ (9,8/10)


Eu voltaria?

Sem dúvida.

Mais do que uma hospedagem, o Sítio Flor das Águas foi um daqueles lugares que me lembraram como a natureza tem o poder de reorganizar nossos pensamentos. Não é um destino para fazer muita coisa. É um destino para sentir. E, às vezes, é exatamente disso que a gente precisa.



1 comentário


Elias Oliveira
Elias Oliveira
27 de jul.

Excelente review

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